O escritor, cronista e orador motivacional João da Silva, dinamizou a palestra “Quantas vidas temos? – O poder do compromisso” na Biblioteca Municipal Tomaz de Figueiredo, no passado dia 13 de fevereiro, e nela o convidado de 49 anos refletiu sobre a “condição humana”, atendo-se “naquilo que nos apaixona, amedronta e nos faz levantar ou deitar mais cedo”.
“Antes de tudo o resto, sou um ser humano, muito parecido com todas as pessoas e com os mesmos sentimentos”, foi assim que se apresentou à plateia João da Silva, ex-jornalista da revista Auto Foco (de que foi cofundador) durante 22 anos, onde teve uma “vida de sonho, mesmo sem gostar de carros”, até que chegou “a um ponto de esgotamento total” há cerca de três anos, em plena pandemia, tendo decidido mudar de profissão.
Na conferência o convidado – que é mentor de equipas em grandes empresas nacionais e estrangeiras – desafiou o auditório a conhecer-se melhor e a centrar-se no desenvolvimento pessoal através do “compromisso”, partilhando com os presentes o calvário de ter enfrentado três episódios oncológicos de gravidade (tudo começou com um cancro no testículo que alastrou a várias partes do corpo como a vesícula e fígado) e dos quais tirou muitos ensinamentos, sobretudo quando foi confrontado com a “possibilidade de morte”.
Do “homem velho e cadavérico” refletido no espelho, João Silva não se deixou abater e entregou-se, com um sorriso aberto, a um “plano de superação (escrito), não de sobrevivência ou de recuperação, sobre aquilo que fazia. Dizia assim: ‘Não te queixes! Não te vitimizes! Não culpes nada nem ninguém! Olha para a situação como ela é! Acredita em ti e aceita o que estás a viver! E, por fim, age!’ Porque de nada vale um plano sem ação”, ressalvou.
Os dias de tratamento “foram muitos e devastadores”. Nessa altura, João da Silva assumiu que tinha de escrever mesmo sobre a doença, para ele e para todos aqueles que passam por esta doença e por outros problemas da vida. E aqui surgiu o papel do compromisso.
“O compromisso, palavra de honra, significa cumprir com o que se disse e o que se prometeu, seja com os outros, seja consigo mesmo. Compromisso é uma palavra muito forte, rica e importante, significa chegar a um entendimento e é por aí que as pessoas resolvem problemas e conflitos, em contexto familiar, profissional e das amizades” acrescentou.
Numa sessão em que promoveu a empatia e o papel da resiliência, João da Silva, a partir das suas vivências, apelou à tolerância. “Vemos as pessoas diariamente, fazemos julgamentos disto ou daquilo, mas na verdade ninguém sabe o que o outro está a passar. Podemos ter uma intuição, perceber meia dúzia de coisas em algumas subtilezas, mas apenas a própria pessoa sabe o que é a sua vida”.
Em jeito de dica, João da Silva deixou uma sugestão para quem já “levou um murro na cara” sem justificação nenhuma: “Podemos perdoar pessoas que nunca nos pediram desculpa”.